Feliz aniversário.
Hoje eu faço 15 anos.
Amigos e família se reuniram na minha casa. Todos felizes, divertindo-se, comemorando a minha existência ou a quantidade enorme de doces? Pessoas fazem aniversários todo dia, mas nas festas ninguém diz nada, os convidados só aplaudem e cantam quando o bolo aparece. Eu também, só quero o bolo e os presentes.
Sento no sofá, meus amigos passam. Para eles sou só um objeto em inércia, que ninguém se importa, até a hora do bolo, quando todos brigam para pegar o primeiro pedaço de mim. Só falaram comigo quando chegaram. Deram os parabéns e foram atrás da comida. Um tio passou a mão nos meus cabelos. Meu pai saiu para comprar algumas coisas e minha mãe está no telefone, alheia a tudo, alheia a mim.
Subo as escadas, à procura de distração. No quarto, “Os Prêmios” do Cortazar pode ser a única maneira de me ajudar. Os doces vão demorar no mínimo umas 50 páginas. “Detetives Selvagens” também me espera, mas não tenho tempo. Ao entrar, vejo um homem, sentado na minha cama, mãos na cabeça. Ele se levanta ao me ver, caminha em minha direção e bota a mão em meu ombro, como um amigo. Perdido, olho em volta do quarto e acabo caindo no espelho. Os reflexos estão invertidos. EU sou ele, ele é eu.
“Estou te esperando há 15 anos, mas você nunca vinha na hora certa”. A voz é tranqüila e serena, parecida com a minha. “Você precisa ir atrás do seu sonho. Tanta coisa pra ser feita e tão pouco tempo. Vá. Não espere a vida acabar para começar a viver”. E o homem se vai pela porta, tão subitamente quanto entrou. Eu volto pra festa. Ouço minha mãe dizer que vai pegar o bolo. Está na hora. As palmas começa, o canto também. É o real motivo da vinda de todos.
Hoje eu faço 15 anos. Já comi o bolo, vou abrir os presentes. O telefone toca.
Feliz aniversário.
22/10/2009 às 13:59 |
Estava lendo seu blog na aula do Collaro. hahaha!
Adorei e… feliz aniversario atrasado!